O Descomplica funciona para estudar interpretação

exercício-descomplica-é-bom-enemUma das maiores necessidades dos estudantes é fazer exercícios que sejam adequados ao que cobram de verdade as provas de vestibular. nessas horas é bom mesmo escolher atividades dos anos anteriores até para acostumar-se com o tipo de questão que a banca leva em conta. neste caso, vamos fazer exercícios de vestibulares que são semelhantes aos do Enem. Provas que exigem capacidade de leitura, capacidade de interpretação e expressão escrita, no caso da prova de redação. Veja que, neste caso, confirma-se a ideia de que o Descomplica funciona porque é comum nas provas elaboradas por eles nos simulados questões assim.

Lista de exercícios

(UFMG) Leia, agora, com atenção, o texto a seguir, um fragmento do artigo intitulado “A alma da fome é política”, do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 1993, para responder às questões 1 a 3.

“A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. O exílio da Terra. Mas a alma da fome é política.

A fome é a realidade, o efeito e o sintoma. O ponto de partida e de chegada. A síntese, a ponta do novelo a partir da qual tudo se explica e se resolve. Porque não é episódica, nem superficial, revela fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos outros. (...) mas a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil.

(...)

É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de miseráveis, com que tranquilidade fomos produzindo milhões de indigentes. Acabar com essa naturalidade, recuperar o sentido da indignação diante da degradação humana , reabsolutizar a pessoa como centro e eixo da vida e da ação política é essencial para transformar a luta contra a fome e a miséria num imenso processo de reconstrução do Brasil e de nossa própria dignidade. Por isso é que acabar com a fome não é só dar comida, e acabar com a miséria não é só gerar emprego, mas é reconstruir radicalmente toda a sociedade.”

1-) A respeito do texto de Betinho, é possível afirmar que ele:

a) Apresenta um panorama quantitativa da fome no Brasil e os impactos causados pela miséria.

b) Vai além as avaliações técnicas sobre a miséria e sobre a exclusão para defender a necessidade da reconstrução social.

c) Caracteriza a fome como um fenômeno natural em um país de desigualdade econômica.

d) Constrói uma imagem poética dos excluídos, prejudicando, assim, o propósito comunicativo do texto.

e) Discute as principais estratégias para, dentro dos limites da realidade, terminar com a fome no Brasil.

2-) De acordo com o texto, todos os elementos abaixo podem ser relacionados com a fome, exceto:

a) Exclusão de direitos.

b) Falta de solidariedade.

c) Indicação de caos social

d) Indiferenca dos outros

e) Preconceito racial

3-) As principais razões que justificam a indignação do sociólogo, em seu texto, são:

a) A política brasileira e a falta de emprego

b) A desigualdade social e o preconceito racial

c) A degradação humana e o cerceamento político

d) O número de indigentes e a precariedade do sistema de saúde

e) A fome e a indiferença do outro à fome.

4-) (Mack-SP) Quais as palavras que completariam as lacunas?

“Descendo .....terra, ......noite, o marinheiro viu um homem que vinha...... pé”.

a) À, à, à.

b) A,a,a,

c) A,à, a.

d) À, à, a.

e) A, à, à.

Mecanismos coesivos no texto – descomplica

Nesta pequena lista de exercícios você poderá resolver questões que versam sobre a coesão textual. Esta  é uma habilidade bastante necessária não só na interpretação de textos como também na produção do texto dissertativo. As aulas do Descomplica ajudam demais e muitos são os alunos que vêm falar comigo para tirar dúvidas sobre o Descomplica. Eu digo que é o maior portal de aulas online e que tem me ajudado, inclusive, a montar as minhas aulas de Português no ensino Médio.

lista de exercícios de linguagem

QUESTÃO 22 (Descritor: reconhecer e analisar o uso de elemento remissivo dentro da construção do texto.)

exercício-enem-interpretacao-descomplica (13)Assunto: Remissão discursiva / emprego de pronomes e articulação / sem coesão não há solução.

1. Proprietários de terras abandonam certas áreas ao longo do tempo.

2. A vegetação pode regenerar-se nas áreas abandonadas.

3. A extensão do processo de recuperação depende de vários fatores.

4. O uso anterior da terra tem influência no processo de recuperação.

As frases acima se articulam em um único período com clareza, correção e lógica, da seguinte maneira:

a) A vegetação pode regenerar-se nas áreas abandonadas, ao longo do tempo, pelos proprietários de terras; a extensão desse processo de recuperação, porém, depende de vários fatores, entre eles, a influência do uso anterior da terra.

b) O uso anterior da terra vai estar tendo influência no processo de recuperação nas áreas abandonadas por proprietários de terras, que lhes abandonam ao longo do tempo; essa extensão do processo de recuperação depende de vários fatores cuja vegetação pode regenerar-se.

c) A extensão do processo de recuperação da vegetação que pode regenerar-se nas áreas abandonadas, dependem de vários fatores; cujo uso anterior da terra tem influência no processo de recuperação de certas áreas, de que os proprietários abandonam ao longo do tempo.

d) Proprietários de terras abandonam certas áreas ao longo do tempo, cujo o uso anterior da terra tem influência no processo de sua recuperação; a vegetação pode, então, regenerar-se nessas áreas abandonadas, que a extensão do processo de recuperação depende de vários fatores.

QUESTÃO 23 (Descritor: reconhecer e analisar uso de elemento remissivo dentro da construção do texto.)

Assunto: Regência / emprego de pronomes e articulação / sem coesão não há solução.

As liberdades.......se refere o autor dizem respeito a direitos.......se ocupa a nossa Constituição.

Preenchem de modo CORRETO as lacunas da frase acima, na ordem dada, as expressões:

a) a que – de que

b) de que – com que

c) a cujas – de cujos

d) à que – em que


QUESTÃO 24 (Descritor: analisar emprego de mecanismos coesivos na construção do texto.)

Assunto: Recursos de coesão / emprego de pronomes e articulação / sem coesão não há solução.

É preciso CORRIGIR a redação da seguinte frase:

a) Não havendo livre acesso à informação pública, não haverá uma sociedade plenamente democrática.

b) Uma sociedade que se queira democrática não pode nunca prescindir da plena liberdade de imprensa.

c) Se não houver liberdade de imprensa, somente assim terá uma nação plenamente democrática.

d) Não se conhece nenhuma sociedade democrática em que haja restrições à liberdade de imprensa.

gabarito dos exercícios

QUESTÃO 22

A

QUESTÃO 23

A

QUESTÃO 24

C

Exercício resolvido sobre variedades linguísticas

Este é um exercício de interpretação de texto enfocando no conteúdo do artigo anterior sobre variedades linguísticas. Acesse o outro artigo e reconheça os tipos e a necessidade de ser, como dizem, poliglota na própria língua.

Acesse também:

(FUVEST) Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:  - E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?  - Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.  - E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?  - Macabéa.  - Maca - o quê?  - Bea, foi ela obrigada a completar.  - Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.  - Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo - parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor - pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...  - Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.  Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:  - Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?  Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.
(Clarice Lispector, A hora da estrela).

No trecho “mas minha mãe botou ele por promessa”, o pronome pessoal foi empregado em registro coloquial. É o que também se verifica em:

a) “- E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?”
b) “- E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?”
c) “- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”
d) “- Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.”
e) “- (...) pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...”

Resposta: Registro coloquial é aquele descompromissado em relação às regras gramaticais. Dentre as opções, a única que apresenta uma incorreção é a letra D, já que percebemos uma frase iniciada por pronome oblíquo átono. 

Três charges para entender o comportamento social

O uso de charges nas provas de interpretação de texto é cada vez maior e esta habilidade se tornou necessária em face das várias mudanças pelas quais a sociedade leitora passou. Hoje somos muito mais imagéticos que no passado e isso significa que adquirimos conteúdo muito mais por imagens do que por textos. Se isso antes era considerado um defeito, hoje em dia é algo usado a favor do conhecimento. Os vestibulares usam em demasia este recurso nas coletâneas da prova de redação. Separei três imagens para mostrar que tipo de charges são usadas nas coletâneas de redação.




Aprenda tudo sobre variedades linguísticas

Ao conjunto de sinais convencionados pela sociedade, mesmo que inconscientemente, para promover a comunicação, damos o nome de código. Eles variam de acordo com os meios materiais que os transmitem e que os recebem, sendo exemplificados nas cores utilizadas nos sinais de trânsito, no código Morse, na Língua Portuguesa. Esta última é, na verdade, o principal código que utilizamos na sociedade brasileira.  A língua é parte essencial da linguagem, podendo ser caracterizada como um código, ou seja, como um sistema de signos e unidades que se relacionam, tais como as palavras e suas associações, que permitem o processo comunicativo de uma comunidade.  

As variações linguísticas É perceptível que a língua não é utilizada da mesma forma pelos falantes. Prova disso é que no Brasil, por exemplo, algumas expressões estão presentes em uma determinada região e não são usadas em outras. Alguns fatores podem influenciar o emprego da língua, como a região geográfica, as identidades sociais, as situações sociais, os jargões profissionais. Cada um deles gerará uma variedade diferente do idioma.



A variação diatópica: A língua pode ser empregada diferentemente dependendo do local em que o indivíduo está. Esta variação diz respeito às diferenças linguísticas que podem ser vistas em falantes de lugares geográficos diferentes. A macaxeira, por exemplo, muito consumida no Norte e no Nordeste é chamada de aipim ou mandioca no Sudeste. Não se trata apenas de uma variação no léxico: questões fonéticas e gramaticais também são consideradas. Em Portugal, por exemplo, pronuncia-se a palavra “prêmio” de maneira mais aberta (“prémio”); ainda nessa questão, é possível reparar que lá a ênclise é mais utilizada na colocação pronominal que a próclise, característica do português no Brasil.

A variação diastrática: Também chamada de variação social, ela diz respeito aos fatores relacionados à identidade dos interlocutores em determinado ato comunicativo. Nessa classificação, é importante observar a idade dos falantes, a classe social a que pertencem, o sexo, a escolaridade.

Fator etário: A idade dos participantes da comunicação é um dado relevante, já que, a partir dela, serão feitas escolhas linguísticas diferentes. Isso é visível na comparação entre um jovem e seu avô. O primeiro possuirá um vocabulário mais ligado à tecnologia, além de empregar gírias específicas (“maneiro”, “massa”); o segundo, também empregará, algumas vezes, um léxico diferenciado, podendo apresentar palavras como “esperto” no lugar de “maneiro”, “broto”.

Fator da classe social: Alguns usos linguísticos são indicativos de que o falante pertence a um grupo social mais desfavorecido na sociedade. Como exemplos, podem ser destacados: a troca do [l] pelo [r] em encontros consonantais (“grobo” no lugar de “globo”, “Framengo” no lugar de “Flamengo”), fenômeno denominado rotacismo; a assimilação do [d] pelo [n] em palavras como “cantando”, “fazendo”, que se tornam “cantano”, “fazeno”; o uso da dupla negação, presente nas frases “ninguém não viu” e “eu nem num gosto”.

Fator do sexo: As diferenças mais comuns nas falas de homens e mulheres são consideradas aqui. Estas empregariam frequentemente diminutivos, como “bonitinho”, “espertinho”, além do prolongamento de vogais para expressar determinado sentimento, como em “adoooooro”. Aqueles teriam um discurso mais ligado à objetividade, utilizando-se constantemente de respostas mínimas (“hmm”, “sim”, “aham”) como forma de encerrar a conversação.

Fator da escolaridade: Também ligada à classe social, trata-se de uma categoria essencial, sobretudo quando se estuda a chamada “norma padrão” ou “norma culta”. Diversas pessoas, muitas das quais não tiveram acesso adequado à Educação, costumam apresentar desvios linguísticos – como problemas na concordância verbal - em relação a ela. É essencial ressaltar que se trata apenas de mais uma norma da língua – ou seja, um conjunto de usos e costumes linguísticos -, mas que é colocado historicamente como variante de prestígio e, por isso, serve de modelos aos falantes. No entanto, a “norma padrão” não tem em si nenhuma propriedade para que seja considerada naturalmente superior às demais. Como dito anteriormente, trata-se apenas de mais uma norma. Ao contrário das outras, foi dado a ela uma avaliação social positiva, sendo historicamente definida e passível de mudança. As demais são frequentemente estigmatizadas, em atitude de preconceito linguístico. Esse posicionamento traz sérios danos à comunicação e à inserção do indivíduo na sociedade, já que toda interação se dá pela e na linguagem. Vê-se, então, que a língua também é um poderoso instrumento de poder, que pode servir tanto para excluir quanto para incluir alguém socialmente.

Fator profissional: Cada grupo profissional possui um conjunto de nomes e expressões que se ligam à atividade desempenhada. Trata-se do jargão típico de cada área. O campo do Direito, por exemplo, utilizará palavras relacionadas a leis, a artigos, a determinados documentos.

A variação diafásica: Esta variação diz respeito ao registro empregado pelo falante em determinado contexto interacional. O emprego da língua também é diferente dependendo da situação em que a pessoa está inserida. Em uma palestra, por exemplo, um professor deve utilizar a linguagem formal, ou seja, aquela alinhada às regras gramaticais. Em uma conversa com os amigos, no entanto, esse mesmo professor pode se expressar de forma mais natural e espontânea, sem a obrigação de refletir sobre a utilização da língua, ou seja, usando a linguagem informal ou coloquial.

É importante ter essa variação sempre em mente para que não se criem problemas de situacionalidade. Afinal, a utilização da língua deve corresponder a uma expectativa discursiva social, correndo o risco de, caso contrário, sofrer uma sanção. Uma redação dissertativo-argumentativa, por exemplo, exige do escritor a utilização de uma linguagem formal e padrão, sendo descontados possíveis coloquialismos como “pra”, “aí”.

ATENÇÃO: Um aspecto bastante interessante abordado em várias provas do ENEM é a noção de que a variação é importante porque é a representação pessoal da linguagem. A língua é marca da identidade do indivíduo. O autor Celso Cunha, sobre isso, afirmou: “Na linguagem é importante o polo da variedade, que corresponde à expressão individual, mas também o é o da unidade, que corresponde à comunicação interindividual e é garantia de intercompreensão.” O autor demonstra, assim, que a língua, apesar de variável, é capaz de integrar o indivíduo em um grupo. Mais que isso: a língua caracteriza e localiza a identidade de uma pessoa e traz pertencimento ou exclusão. Além disso, devemos destacar que a variação não impede, na maioria das vezes, o processo comunicativo.

Ela pode dificultar, tornar necessária uma explicação sobre determinada expressão, mas não impossibilita transmitir a informação. Ao contrário, a diversidade de variações em uma língua indica seu caráter vivo e dinâmico. 

Introdução ao estudo da lingua e linguagem

Considerando as habilidades e competências do ENEM, o processo comunicativo destaca-se sob diversos aspectos. Um dos objetivos dos seus idealizadores deste processo seletivo é fazer com que o aluno perceba a importância de comunicação no mundo moderno, além de seus desdobramentos. Para iniciarmos a análise, estudaremos os conceitos de língua e linguagem.

1. O que é “Linguagem” sob a ótica da Língua Portuguesa

O homem não vive isolado. Relaciona-se com outros indivíduos, constituindo o que se denomina sociedade. No contato interpessoal, o processo comunicativo fundamenta as relações: alguém transmite ao outro aquilo que pensa, sente ou deseja. Da mesma maneira, o outro responde, expressando também suas emoções e suas mensagens. Os participantes estão em constante troca de papéis no ato comunicativo, assumindo diferentes identidades, que são marcadas pela linguagem e pela língua. Trata-se do que chamamos de processo comunicativo. Para que haja comunicação entre as personagens, há a necessidade de cooperação entre os participantes, além da utilização de diversas linguagens.  Um dos papéis básicos da linguagem é, portanto, comunicar. Nesse sentido, pode-se defini-la como uma atividade humana que demonstra o pensamento por meio de sinais que permitem a interação entre as pessoas.  Há ainda outra atribuição da linguagem: representar toda a realidade e todas as experiências dela recorrentes. Trata-se, portanto, do meio pelo qual o homem entende o mundo e o expressa simbolicamente.

É importante ressaltar ainda que é a linguagem é o principal fator de diferenciação entre nós e os outros animais. Estes não são capazes de estruturar o pensamento em um sistema de símbolos que podem substituir a experiência por meio de um conteúdo ilimitado e subjetivo. O elo com a humanidade é tão forte que não há sociedade sem linguagem. Tal pensamento ainda pode ser estendido à concepção de que também não há sociedade sem comunicação. A linguagem corporal e a expressão facial também podem ser considerados sinais que permitem o ato da comunicação. Esses sinais são o que chamamos signos linguísticos. Os signos apresentam duas partes, faces, inseparáveis: o significante (a imagem acústica, ou seja, os sons, além de fonemas) e o significado (que contém a ideia, o conteúdo). Por exemplo, a palavra mesa, que apresenta como significante /meza/ (transcrição fonética) e, como significado, móvel de madeira, metal, mármore ou qualquer outro material, sustido por um ou mais pés. É preciso ter em mente que esses signos são fixados de forma arbitrária. Isso quer dizer que não há nada na realidade que indique que o “móvel de madeira, metal, mármore ou qualquer outro material, sustido por um ou mais pés” deve ser chamado de mesa. Este nome foi, portanto, escolhido convencionalmente, não havendo uma relação direta e natural entre o significante e o significado. 

Quais são os tipos de linguagem?

Quando nos comunicamos, podemos utilizar a linguagem de diversas formas. Há processos comunicativos que se concentram na expressão por meio de palavras, configurando o que chamamos de linguagem verbal. É o principal tipo de linguagem utilizado, ou seja, através das mensagens constituídas por palavras na forma oral ou escrita. 
 
Outros processos trabalham com o contato sob a forma de gestos, símbolos, cores, desenhos, configurando a chamada linguagem não-verbal, já que não há a utilização de palavras.  É o caso das placas de trânsito que possuem apenas imagens, por exemplo. Há também os casos em que as placas de trânsito misturam palavras e imagens. É caso que chamamos de linguagem mista.~

A Linguagem Literária

A linguagem que utilizamos nas situações cotidianas – conversando com amigos, escrevendo um relatório – ao ser comparada com o discurso literário apresenta muitas diferenças. A literatura, frequentemente caracterizada como a “arte da palavra”, em que a língua atinge sua realização máxima e mais bela, possui peculiaridades.
Para que a questão possa ser entendida melhor, leia o trecho abaixo:
“Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.”
(Machado de Assis, Dom Casmurro)

A descrição dos olhos de Capitu não é feita de maneira racional e objetiva; pelo contrário, trata-se de uma escrita bastante subjetiva e imagética. Esta linguagem mais estilizada dá-se o nome de linguagem conotativa; já aquela que emprega a palavra em seu sentido dicionarizado é a linguagem conotativa. Basta analisar ao uso que foi feito da palavra “ressaca”: seu significado em um verbete de dicionário é “movimento das ondas sobre si mesmas, quando recuam depois da rebentação.” Este não foi, porém, o sentido que o narrador utilizou. Houve, no exemplo acima, de conotação, uma metáfora. Trata-se de mais uma característica da linguagem literária: a presença de figuras de linguagem, de pensamento, de construção. Todas elas estilizam artisticamente o que está sendo dito, trazendo efeitos variados ao texto. Ainda nesse âmbito, podemos relacionar a temática da traição e do fingimento presentes em Dom Casmurro com as próprias bases da Literatura. Uma das características dessa arte é a chamada mimesis, caracterizada pela estética clássica como a imitação da realidade.
Tal representação do real deve seguir o princípio da verossimilhança, pelo qual o que está escrito deve parecer verdadeiro e possível para quem lê. Essas ideias também podem ser relacionadas ao famoso verso do poeta português Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor”. Essas características compõem parte das singularidades do discurso literário e devem ser consideradas em quaisquer análises ou interpretações.