Gabarito dos exercícios de interpretação

Publiquei recentemente um exercício de interpretação de textos no blog Análise de Textos. São exercícios dissertativos e aqui trago o gabarito deles. Baixe-o clicando no link no final do post.

Considere, antes de fazer o download, conferir os links abaixo:

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

Leitura: Rios sem discurso (João Cabral de Melo Neto)

No poema "Rios sem discurso", João Cabral de Melo Neto estabelece uma belíssima relação entre o fluxo dos rios e o fluxo das palavras. Referindo-se aos rios do Nordeste que secam periodicamente, o poeta mostra como a fragmentação do curso da água se assemelha ao isolamento das palavras: num e noutro caso, como não há inter-relacionamento, não há fluxo, não há discurso - palavra que etimologicamente está ligada ao conceito de "correr para vários lados, espalhar-se". É a sintaxe que coordena as relações que criam o fluxo da água e do discurso - ou, se utilizarmos uma imagem do próprio texto, é a sintaxe que "enfrasa" os fios de água e as palavras. Este poema dá, metaforicamente, uma sugestiva definição de sintaxe.

1. Em sua primeira ocorrência, cortar significa "secar", "deixar de correr". Em sua segunda ocorrência, significa "interromper", "cessar".

2. Água parada, imobilizada pela falta de sentido. Isso ocorre porque, dividida em poças não-comunicantes, a água não consegue fluir.

3. É a palavra isolada das demais, com o sentido que tem nesse isolamento. Essa é a forma como a encontramos nos dicionários (em que, cada vez mais, é necessário mostrar palavras em relação - expressões, exemplos - para tentar dar conta do complexo problema da significação).

4. Interrompido o fluxo do rio, a água se torna "paralítica", imóvel nas poças que não se comunicam e, por isso, não há fluxo. Isoladas umas das outras, as palavras limitam-se ao seu "estado dicionário", sem estabelecer o fluxo das frases (o fluxo sintético), em que, das relações, nasce o discurso.

5.  Porque é uma linguagem não-permanente, resultante de uma situação excepcional.

6.  No seu fluxo, na sua corrente-discurso.

7.  Curso é forma arcaica do particípio de correr. Dis- é prefixo que indica "em todas as direções". Logo, discorrer é, em sentido literal, "correr em diversas direções". Discurso é, portanto, "o que fluiu em várias direções".

8. O fluxo do rio decorre da junção de muitos fios de água que correm juntos, engrossando-se mutuamente até o "discurso-rio". Assim o discurso com as palavras, que se unem duas a duas, três a três, formando frases que se encadeiam no fluxo do discurso.

BAIXE ESTE EXERCÍCIO COM O GABARITO CLICANDO AQUI

Gabarito do exercício com a Revista Época

Lá no blog Análise de Textos, postei um exercício de interpretação usando uma propaganda veiculada na Revista Época. É uma atividade prática pronta para usar em sala de aula e para estudar para o vestibular.
GABARITO E COMENTÁRIO DO EXERCÍCIO
Comentário: Texto apropriado para discutir com os alunos questões fundamentais relacionadas a vários usos sociais da linguagem, particularmente as funções da língua escrita e o conceito de letramento em contraste com o de alfabetização. Para que servem os textos escritos? A leitura e a análise do texto publicitário é um bom ponto de partida para essa discussão. Além disso, pode-se discutir para que serve a chamada "propaganda oficial"...
1.    O aluno deve perceber que há um processo de personalização nesse emprego da palavra alfabetizado: o Brasil é considerado uma entidade dotada de vida autônoma e própria. Esse tipo de personalização é constante no discurso publicitário oficial, que apresenta o país como um todo integrado e coeso, que caminha harmonicamente em direção ao bem-estar geral. A realidade mostra um incessante conflito de interesses em que, infelizmente, a vontade de poucos privilegiados continua a se impor sobre a de maiorias excluídas.
2.    Há um jogo com palavras que, no texto, adquirem sentidos opostos: nunca / sempre; aprender / ensinar. Esse jogo faz com que se atraia a atenção do leitor, motivado pela "provocação" dessas palavras. Outra coisa a destacar é que a frase, do modo como está construída, remete a uma forma estereotipada da língua, o bordão "nunca é tarde para...", muito freqüente em discursos de aconselhamento.
3.    De acordo com o texto, a alfabetização é "um dos princípios básicos da cidadania", pois garante "o direito de assinar o próprio nome", a capacidade de "identificar o destino de um ônibus", de "preencher uma ficha de emprego" e de "pagar as contas no banco". É desse ponto que pode partir uma discussão séria com os alunos sobre os usos da língua escrita e sua importância para a vida de cada um. O texto publicitário enfatiza as possibilidades utilitárias da alfabetização, mostrando que o indivíduo que se torna capaz de decodificar as letras se habilita a assinar o próprio nome, a tomar o ônibus certo, a preencher ficha de emprego e a pagar conta em bancos. Acreditamos que é muito importante conversar com os alunos sobre o direito ao letramento, ou seja, o direito a muito mais do que a simples alfabetização: é necessário que se ofereça ao indivíduo a possibilidade de freqüentar com desenvoltura o mundo da escrita, no qual circulam textos de natureza variada que possibilitam o acesso à informação, ao prazer verbal e a muitas formas de interação verbal que, para além de garantir benefícios profissionais, fazem parte de algumas das melhores coisas que a humanidade foi capaz de produzir - como o patrimônio literário, a filosofia, o ensaísmo.
4.    Já mencionamos na resposta à questão anterior a necessidade de distinguir entre alfabetização e letramento. É necessário que se lute não apenas pela mecânica de de-cifração e produção de letras - o que constitui a alfabetização -, mas também pelo acesso a toda a complexa dinâmica do mundo da escrita, que inclui a capacidade de interagir criticamente com toda a produção escrita da sociedade contemporânea. É óbvio que a alfabetização é pré-requisito indispensável do letramento - mas também é óbvio que a ênfase na utilidade da alfabetização é uma forma de cercear-lhe o alcance. Ela deve ser, isto sim, o primeiro passo no sentido do letramento mais amplo possível, com tudo o que este implica de desenvolvimento da autonomia na pesquisa e produção de conhecimento, e da formação de um apurado sentido crítico - ambos ferramentas utilíssimas no desempenho de qualquer profissão e, ao mesmo tempo, formas melhores de estar no mundo.
5.    Discutir com os alunos qual o papel desse texto publicitário nesse meio - é informar aos leitores de Época o que o governo vem fazendo pelos analfabetos e incentivá-los a participar do grande "mutirão alfabetizador" nacional ou é criar uma imagem positiva do governo, que se dedica a causas sociais? Ou é uma forma de fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Deve-se destacar que o texto distingue aqueles que serão alvo da alfabetização daqueles a que se dirige, que são potenciais alfabetizadores ou colaborados do projeto. Os alunos se sentem motivados pelo texto a colaborar? Discuta tudo isso com eles e faça-os pesquisar, se necessário, para saber se o projeto "Brasil Alfabetizado" vem alcançando os objetivos a que se propõe.

Gabarito do exercício de interpretação

Hoje, postei um exercício usando uma propaganda publicitária. O título é “Exercício com propaganda publicitária” Trago aqui um comentário sobre o mesmo e possíveis respostas para as indagações feitas naquele post.

Exercício sobre propaganda publicitária [gabarito]

Este gabarito e comentário referem-se a um exercício com uma propaganda do Banco do Brasil. Você pode conferí-lo nesse link. Este é apenas uma comentário sobre o exercício com o texto publicitário. Não se esqueçam de que é um tipo de texto cada vez mais cobrado em vestibulares e em aulas de redação.