Não faça isso na dissertação do Enem

Já falei em outros projetos online que existem figuras de linguagem que privilegiam a sonoridade. Este é um recurso extremamente válido sobretudo nos textos poéticos. Sabendo disso, todo aluno deveria ficar atento para não usar disso nos textos que exigem uma linguagem formal e mais objetiva como são os textos dissertativos no Enem e vestibulares. Neste post darei mais alguns exemplos de bom uso do recurso em questão.

A expressividade nos textos poéticos


Observe o trabalho de Chico Buarque nas estrofes seguintes e veja como explorar a posição da sílaba tônica também pode se transformar num recurso expressivo.

"Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro"

"Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague"

Disponível em: <www.chicobuarque.com.bi7construcao/mestre.asp?pg=construc_7i.htm>.

A primeira estrofe pertence à música "Construção", que tem seus versos encerrados com palavras proparoxítonas; a segunda, à música "Deus lhe pague", que explora a sonoridade de palavras oxítonas. No primeiro caso, as palavras proparoxítonas dão o ritmo da vida do operário: uma vida sem perspectiva, que se arrasta monotonamente, como as sílabas pós-tônicas de uma proparoxítona.

No segundo caso, as oxítonas dão o ritmo alucinante de ações (são verbos no infinitivo) que marcam a luta pela sobrevivência.

Neste Natal, lembre-se de mim...
Neste Natal, lembre-se de mim...
Dê para quem ama um cofrinho da Delfim...

No anúncio natalino da extinta Poupança Delfim, observa-se que a reiteração do som IM no final dos versos insinua o toque de um sininho. O efeito vem do í, que é alongado, ecoado e mais estendido pela nasalização.


Como disse no início, é um recurso muito agradável e que contribui para expressividade do texto, mas é necessário observar as características de cada gênero textual para que, assim, não fujamos do que nos foi pedido no texto.

Exercício resolvido sobre variedades linguísticas

Este é um exercício de interpretação de texto enfocando no conteúdo do artigo anterior sobre variedades linguísticas. Acesse o outro artigo e reconheça os tipos e a necessidade de ser, como dizem, poliglota na própria língua.

Acesse também:

(FUVEST) Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:  - E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?  - Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.  - E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?  - Macabéa.  - Maca - o quê?  - Bea, foi ela obrigada a completar.  - Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.  - Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo - parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor - pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...  - Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.  Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:  - Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?  Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.
(Clarice Lispector, A hora da estrela).

No trecho “mas minha mãe botou ele por promessa”, o pronome pessoal foi empregado em registro coloquial. É o que também se verifica em:

a) “- E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?”
b) “- E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?”
c) “- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”
d) “- Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.”
e) “- (...) pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...”

Resposta: Registro coloquial é aquele descompromissado em relação às regras gramaticais. Dentre as opções, a única que apresenta uma incorreção é a letra D, já que percebemos uma frase iniciada por pronome oblíquo átono. 

Prova de interpretação de textos – Felicidade

Estes são alguns exercícios de interpretação de textos que eu publiquei noutro projeto que mantinha no passado e que agora foi transformado no site Mais Educativo. Lá publiquei dezenas de exercícios de interpretação de textos com gabarito e estão disponíveis para professores e estudantes que desejam praticar para a prova do Enem. 



Felicidade
A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-la na fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável.
(Fernando Bastos de Ávila)

1) Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?

2) Qual a conclusão do autor a respeito da “felicidade”?

3) Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; resumindo-o:

4) Comente e opine sobre o trecho: “...com dinheiro tudo se compra e que felicidade é uma mercadoria como outra qualquer”:

5) Você concorda com tudo o que o autor afirma no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando suas opiniões, claro!

6) Pra você, o que é felicidade? Escreva um pequeno poema, em verso, respondendo a esta pergunta, com várias respostas;

7) Você é feliz? Por quê?

É bastante simples a resolução desses exercícios. Se você quiser deixar aí nos comentários a resolução para que a comunidade de leitores contribuam, fiquem à vontade.













Jogo da velha para imprimir

Esta é uma atividade lúdica que estimula o pensamento rápido e a estratégia para vencer um jogo. O jogo da velha é tradicional e conheço-o por este nome. O desafio nele é montar uma sequência de três peças iguais na mesma linha ao mesmo tempo que se impede que o jogador adversário consiga fazer isso. Neste artigo você verá quatro modelos de cartelas deste jogo. Imprima-os e leve para sala de aula como forma de estimular suas crianças e até mesmo seus filhos em casa em brincadeiras que não sejam eletrônicas. Você pode ainda usar algumas das nossas opções de jogos educativos online ou mesmo estimular suas crianças com atividades de alfabetização selecionadas por idade e matéria.




Três charges para entender o comportamento social

O uso de charges nas provas de interpretação de texto é cada vez maior e esta habilidade se tornou necessária em face das várias mudanças pelas quais a sociedade leitora passou. Hoje somos muito mais imagéticos que no passado e isso significa que adquirimos conteúdo muito mais por imagens do que por textos. Se isso antes era considerado um defeito, hoje em dia é algo usado a favor do conhecimento. Os vestibulares usam em demasia este recurso nas coletâneas da prova de redação. Separei três imagens para mostrar que tipo de charges são usadas nas coletâneas de redação.